Em Dachau encontram-se uns supostos balneários que serviam para iludir os que lá entravam pensando que iam tomar banho sendo depois surpreendidos com Zyklon B esses balneários eram as câmara de gás onde morriam em períodos de 15min a 20min cerca de 150 pessoas, existe também um crematório, experiências médicas, memórias de sobreviventes e dos que lá passaram os últimos dias da sua vida só por discordarem das politicas de Hitler ou simplesmente pelo estatuto social, números e mais números, nomes e mais nomes, símbolos e regras ditadas num campo mortífero jazem no museu em que foi transformado este campo de concentração. Depois disto só desejo passar em Auschwitz.
Tinha uma ideia mais negativa dos Alemães talvez um pouco por culpa dos que me tinha cruzado até agora ou da imagem que os portugueses me imponham através de conversas. É certo que aqui há de tudo um pouco desde Tokio hotel fans até gente com Muita Classe que são a maioria (e eu que o diga depois de frequentar o primeiro bar) :) sendo eles simpáticos, educados, não são conflituosos, respeitadores no que diz respeito aos limites de velocidade, passagem de semáforos,aqui sabem viver a própria liberdade sem nunca interromper a liberdade dos que os rodeam. (aqui é fácil distinguir um português pois é o único que vê verde no vermelho :) de inicio até me senti tentado a passar a passadeira quando estava "verdelho" mas foi-me dito que podia ser multado!).
Ontem ao vaguear pelas ruas de Regensburg achei piada ao facto de os habitantes locais correrem para o sol como os caracóis depois da chuva! Ao longo do rio Danúbio que banha a cidade estavam dezenas de pessoas deitadas na relva a bronzear-se, fazer churrasco, descansar, correr... etc... mas o que mais me impressionou foi constatar que não é só na Holanda que se anda de bicicleta, e não são os pobres que usam este meio de transporte mas mães com os filhos atrelados, homens de fato e gravata, senhoras de vestidos e saltos altos até miúdos e trabalhadores. Aqui dá-se também uma enorme importância a quem circula nas ciclovias pois existem semáforos, sinais e até locais onde guardar a bicicleta em frente aos serviços, lojas, cafés,etc. Os carros são poucos comparando a outras cidades dos mesmo tamanho em Portugal aliás só se vêm os que fazem entregas\distribuição ou fora da cidade porque quem reina são os peões e os ciclistas! é fácil entender isto pois em qualquer lado que se coloque o carro tem que se pagar desde que ele fique mais de uma hora, os prédios não são torres de 20 andares sem parqueamento mas sim prédios que nunca passam dos 4 andares e além do mais existe sempre um espaço "dentro" do prédio com um jardim ou um parque para os carros\bicicletas.
Muitos de nós dizemos que conhecemos o Mundo ( nem que este seja pela televisão, Internet, fotos...) esquecendo-se de conhecer a própria casa por isso deixo-vos um conselho para depois de uma refeição :) caminhem, caminhem dando vida ao interior algarvio e conhecendo as lindas paisagens que existem. PORRA, o Algarve não são só praias. Opinião de quem conhece.
Não costumo beber bebidas alcoólicas mas por vezes deixo-me enganar pela vontade de ver o mundo de pernas para o ar, é certo que não costumo saborear com frequência o vinho pois não existem praticamente locais nocturnos onde se possa beber . Portugal é um País onde se produz bom vinho, tão bom que faz parte da nossa imagem por esse mundo fora, desde do vinho do Porto ao da Madeira mas não querendo esquecer o " meu cantinho" aqui está um catalogo interessante do que se faz pelas nossas terras áridas.
Após alguns dias de espera lá consegui fazer o passeio que planeei, que consistia partir de Alcoutim de bicicleta e seguir até Faro pela http://www.viaalgarviana.org/ é certo que não fiz o percurso todo e tive que arranjar uma alternativa isto porque no percurso da Algarviana não conseguia pedalar nas subidas e a descer tinha que estar sempre a travar fazendo que a carga andasse aos pulos, decidi então e após o primeiro dia onde pernoitei no Zambujal (Vaqueiros) que iria fazer o passeio mas por estradas secundárias que ao fim ao cabo a paisagem não iria fugir muito do que estava á espera. O passeio foi agradável, tirando a sua dificuldade mas era mesmo isso que procurava, conhecer-me em situações de "aperto" e dar valor a pequenas coisas que diariamente nos passam um pouco ao lado assim como um duche de agua quente, estar com aqueles que gostamos, um pouco de pão nem que este seja de ontem. Dava por mim a cumprimentar os velhotes com quem me cruzava nas aldeias, umas para pedir informações outras por nada.
O passeio começou no primeiro troço que encontrei perto de Alcoutim, o Bruno deixou-me lá de carro e ai fui eu, comecei a pedalar, e dou por mim e zasss.? "então e os sinais desta suposta via?" não é que tinha passado por um e não o tinha visto? "comecei bem sim!" olhei para trás e vejo o serro que tinha acabado de descer, "fogooo lá vou ter que fazer isto tudo outra vez" enfim... peguei em mim e lá comecei a subir prometendo a mim mesmo que estaria mais atento e que ainda bem que foi logo no inicio que isto aconteceu de modo a estar mais atento, assim foi, quando chego ao cimo do Serro vejo um apicultor que me dá uma indicação, "Balurcos? fica para ali uns 3 km" e assim foi, passei por Balurcos e por muitas outras aldeias sendo sempre acompanhado por ribeiras, cursos de agua, perdizes, coelhos, rolas e até duas cobrinhas.
Após alguns km dou por mim perante um obstáculo, isto é, entre onde eu estava e o lado que queria seguir estava a ribeira da Foupana com agua fresquinha e forte corrente, vindo-me logo á memória cenas do "Into The Wild" e eu mesmo não querendo ter que passar pela ribeira senti uma enorme vontade de fazer, afinal era isto que procurava quando tirei o cú do sofá. Descalço-me e faço um pequeno teste, meto os pés na agua e vejo o local menos fundo de modo a poder atravessar, a coisa não foi fácil pois a agua empurrava ribeira a baixo tive então que encontrar uma zona de menos corrente, olhei, olhei e vi uma zona mais alta onde parecia que a agua estava mais calma, voltei atrás peguei na bicicleta e joguei aos ombros como se fosse uma saca de batatas. "uiiii mas onde é que me meti, agora não posso voltar atrás, ja tenho os tomates que nem umas ervilhas e estas pedras com a corrente mal me deixam andar, fogoooo não posso voltar atrás nem baixar a bicicleta senão molho o saco cama, maquina fotográfica, comida, o telemóvel que poderá fazer falta.... lá vou ter que aguentar" naquele instante pensei cá para mim " não querias aventura?! então toma a aventura!". Após a passagem da ribeira mal tinha forças para continuar mas a felicidade era tanta que quase desatei a correr, "bem... o mais difícil já passou" pensei eu, mas quando olho para a nova margem, aquela onde tinha escolhido atravessar, não vejo nenhum sinal, nem á esquerda nem á direita, apenas um monte de vegetação. Olhei para o mapa, vezes e vezes sem conta para tentar perceber onde tinha atravessado a ribeira e só assim consegui arranjar caminho, "ora nem mais, tinha que ser! mais um serro para subir".
Continuando a pedalar lá fui ter ao Zambujal que quase passava sem parar quando uma voz que diz " Hey! ciclista onde vais com essa pressa toda?" era a Sílvia uma amiga minha que se dispôs a ajudar, eram cerca 17h e estava a familia toda em casa, lanchamos e trocamos umas palavras, dei um maravilhoso banho e dormi numa cama quente, pensei cá para mim " Então?! não vinhas á procura de aventura? porque não dás uso ao saco-cama? mas que fraquinho tu és! " respondendo a mim mesmo " Sim, sim com o friozinho que tá lá fora que vou eu fazer" e por ali me deixei acolher.
No dia seguinte ainda tinha muito que pedalar por isso acordei ás 8h15 tomei o pequeno almoço e segui viagem, despedindo e agradecendo ao Sr. Mário e esposa pela sua hospitalidade.
Pedalei... pedalei, parei e descansei, voltei a pedalar a parar e a descansar. " Maldita serra que isto é sempre a subir, eu quero chegar ao céu mas ainda sou novo" pedalei, pedalei passando por Malfrades,Vaqueiros, Bentos, Madeiras, Monchique, Amoreira, Alcarias Baixas, Casas Baixas, Cachopo, Currais, Feiteira, Montes Novos até que finalmente chego ao Barranco do Velho, o ponto mais alto que teria de passar neste dia, deixando para trás eses e mais eses de estradas a subir. " Uiii já faltam só 30 km para Faro, hummmm vou para casa ou ainda passo em Salir?" decidi continuar pois ainda eram 14h e até ás 19h horas que o sol desaparecia ainda faltava tempo, desci, desci, desci sempre a descer até Salir, fui em direcção á Nave do Barão e vi que a lagoa que esta sempre seca durante todo o ano e muitos Invernos, neste estava cheio de água e de gaivotas, não fosse esse o apelido do rapaz que ia visitar por aquelas paragens. Chegando a sua casa a mãe dele preparou-me logo uma omeleta com 4 ovos, umas azeitoninhas e uma saladinha, " Mas que saciado eu estou, a comer assim mais logo não me levando da cadeira". Entretanto o Bruno chega e trocamos umas palavras, tiro o saco cama e a tenda e dou-lhe decidindo continuar até Faro nesse mesmo dia... "sem carga é mais fácil" pensei cá eu, fácil antes de começar, pois até as rectas pareciam subidas, continuei pois já não havia volta a dar, pedalei, pedalei passando por Monte Seco, Parragil, São Sebastião, Loulé, Goncinha, Patacão e finalmente Faro.
Resumindo foram uns dois dias de passeio que irão ficar na memória, e mais uma para contar aos netinhos.
Para quem não tem paciência ou não gosta de ler aqui está um vídeo:
Se o tempo permitir aqui vai mais uma para contar aos netinhos, um passeio a pé durante 2 dias desde Alcoutim até São Brás de Alportel farei com mais 1 ou 2 malucos cerca de 85km por montes e vales cheios de verde, muito verde, não fosse esta chuva trazer mudança.